Acredito que José Arthur Giannotti é um autor que anda esquecido demais. A explicação é óbvia: o sistema universitário anda longe da Filosofia, empolgado com o tecnicismo e a engenharia dos prédios públicos. Vivemos uma era sem reflexão crítica. Pereceram as semanas acadêmicas, congressos, encontros de autoavaliação. Divulgam-se dados que atraiam para os burocratas as atenções publicitárias e que pareçam dizer que se tem o melhor para oferecer. “Universidade em ritmo de barbárie” é um dos livros que deveríamos ler, pelo menos os que compõem os conselhos que administram as escolas de ensino de terceiro grau. Miguel Reale é outro pensador que trata da crise da universidade brasileira e, igualmente, segue no injusto ostracismo acadêmico. Seu livro “Problemas do nosso tempo” contém provocações, perfeitamente, atuais. A burocracia tem sido o castelo para onde se refugiam aqueles que se autodeclaram professores, mas não foram predestinados para a sala de aula, para a pesquisa científica, para a curiosidade, para a busca incessante do novo em teoria. O tempo decorrido de sua graduação até os fantasiosos graus da caminhada lato sensu superou suas capacidades e habilidades. Não se graduaram para ensinar, mas para o exercício do serviço técnico, que, por ser isto, na escala de valores de um sistema invertido, ganhariam menos em seus salários. São tecnocratas travestidos de professores, por isso sua grande paixão é seguir, cegamente, os ditames dos famosos regimentos e guias tramitacionais. Dá-lhes a impressão e o consolo de que estão trabalhando, inovando e que são importantes no sistema pedagógico. É falsa a sensação. O que se evita constatar é que muitos dos ocupantes de cargos no sistema de ensino superior vieram de cursos onde não se havia obrigatoriedade da leitura, do esforço intelectual mediano que fosse. Muitos cursaram disciplinas porque não havia saída para evitá-las e, por isso, se tornaram inaptos para atuarem em quaisquer delas, mesmo ostentando diploma de graduação e pós-graduação. Eles não sabem porque não sabem. Suas teses foram desdobramentos calculados de ideias calculadas de seus orientadores. Há cursos nos quais os concluintes da graduação jamais se pós-graduam nas áreas desses cursos; eles buscam pequenas e insignificantes temáticas, especialmente nas áreas de Humanas e Sociais. Vale recordar que a falta de avaliação do MEC em tais cursos permite o desperdício do investimento social nestas formações acadêmicas. Como o sistema falido e falso, enganoso de aparência, exige produtivismo, tais burocratas nada publicam, contribuição alguma apresentam ao universo cultural e científico; o máximo que podem é constarem em capas de livros como organizadores, com o papel único de reunir contribuições diversas sem o mínimo domínio delas.
Posição histórica
segunda-feira, 28 de setembro de 2026
domingo, 12 de abril de 2026
A luta da extrema direita contra o nacionalismo brasileiro
FLÁVIO BOLSONARO, candidato para a desnacionalização
"Em discurso nos Estados Unidos, Flávio Bolsonaro prometeu a Donald Trump as terras raras brasileiras como pagamento se a Casa Branca melar as eleições desse ano e lhe entregar a Presidência da República... Além de Flávio Bolsonaro, Reza Pahlavi, filho do último Xá do Irã, foi à CPAC solicitar que os americanos o coloquem no poder na pátria que sua família saqueou e manteve submissa por décadas... Além das terras raras como suborno, Flávio também ofereceu a Trump um discurso para uma eventual intervenção. Com cara de pau que faria Daniel Vorcaro corar, Flávio ressuscitou o discurso bolsonarista sobre urnas eletrônicas... Flávio também sabe. Dissemina mentiras sobre a democracia brasileira para convencer a maior superpotência da história do mundo a destruí-la..."
Celso Rocha de Barros - Folha de São Paulo - 5/4/2026 - pág. A11
O discurso de esquerda nos moldes fascistas nas universidades públicas do Paraná
Por volta de 1993, procurei em Belo Horizonte o filósofo padre Henrique Cláudio de Lima Vaz. Queria ouvir sua opinião sobre Álvaro Vieira Pinto, consequentemente, sobre o ISEB e Paulo Freire. Ganhei uns livros e revistas com artigos dele e uma maravilhosa lição para a vida intelectual de um neófito estudante de História. Não se poderia falar sobre Vieira Pinto sem falar do marxismo, da influência que o ISEB causou na vida de Álvaro. Vamos à lição dada por Lima Vaz. Na década de 1960–1980, o marxismo passou a ser uma joia que enfeitava o pescoço de gente bem arrumada quanto de maltrapilhas. Lima Vaz chamava isso de “ethos filosófico”. Era bonito, chique, ser diletante de marxismo, falar termos marxistas. Lição essa que permanece atual. O marxismo continua fora das universidades, varridas em 1991 por uma onda conservadora sem tamanho, substituído pelas teorias reacionárias vindas da Europa e pelo revisionismo brasileiro. Mas o status de ser de esquerda, progressista, denunciar o fascismo, falar do materialismo histórico com veemência em sala de aula, como se fosse revolucionário, é uma farsa, um ethos filosófico, com o qual determinados pulhas enganam a ingênua juventude universitária, principalmente a de Humanidades, enquanto no terreno da prática política buscam benefícios próprios do serviço público.
(Ponta Grossa, 12 de abril de 2026)
segunda-feira, 5 de fevereiro de 2024
segunda-feira, 28 de dezembro de 2020
O que se deve ler para compreender o Brasil em sua guinada fascista 2016-2021
São principais marcas do período:
1. Golpe parlamentar orquestrado pelo Vice-Presidente Michel Temer, Forças Armadas e Interesses econômicos e políticos estadunidenses;
2. A ideologia do lavajatismo, arcabouço teórico fascista, liderado pelo grupo reacionário da Justiça Federal em Curitiba cujo objetivo é desmerecer a política e tirar o PT da disputa eleitoral;
3. Milicias cariocas tomam o poder através da eleição de Jair Bolsonaro que governa junto com seus filhos;
4. Golpe das reformas em período de pandemias que inviabilizam manifestações lideradas por Paulo Guedes;
5. Predomínio da violência geral, policial, crimes, feminicídios, contra negros e gays, casos noticiados pela imprensa, como o do Shopping em Porto Alegre;
6. Total subserviência aos interesses dos Estados Unidos, a famosa declaração, "I love Trump";
Literatura analítica do período
Felipe Pereira Lourenço. A aliança para o progresso e o governo João Goulart: ajuda econômica norte-americana a Estados brasileiros e a desestabilização da democracia no Brasil pós-guerra. Editora da Unesp.
Wilson Gomes. A crônica de uma tragédia anunciada: como a extrema-direita chegou ao poder. Editora Sagga, 256 pág.
domingo, 4 de dezembro de 2016
2016: Brasil e a regressão neofascista
Populismo - o conceito volta à circular nos meios de comunicação, redes sociais e média e grande imprensa. Estão denominando "o populismo de direita", referindo-se a candidatos reacionários que perdem eleições nos países europeus. Espero que as forças progressistas brasileiras, à chamada esquerda, não caiam no conto desses pseudo-intelectuais. O conceito de populismo sempre se voltou contra os partidos e políticos que incluíram a maioria menos favorecida deste país, que defenderam a presença do Estado na economia como forma de participação das classes médias vinculadas ao povo. Como escreveu Nelson Werneck Sodré, um conceito a ser arquivado.
domingo, 6 de abril de 2014
Álvaro Vieira Pinto, apontamentos atuais para nossas universidades
"A luta estudantil deve realmente incentivar o ensino tecnológico e a integração dos centros de investigação científico-naturais que se caracterizem por sua real eficácia, e não sejam, como alguns são simples vazadouros dos dinheiros públicos" ÁLVARO VIEIRA PINTO - A questão da universidade, pág. 101.
ÁLVARO VIEIRA PINTO: ingresso direto na universidade é parte da filosofia da educação universal, pública e gratuita
"O aluno, ao iniciar a escola primária, e tão somente por isso, já está habilitado a ingressar um dia na universidade" - ÁLVARO VIEIRA PINTO - A questão da universidade, pág. 99
"...todos os alunos estão destinados aos graus superiores do ensino...a universidade tem de ser dos ainda analfabetos...os analfabetos atuais precisam ser os alunos da universidade futura" ÁLVARO VIEIRA PINTO - A questão da universidade, pág. 100
ÁLVARO VIEIRA PINTO: a participação dos estudantes deve ser universal e igual na gestão da universidade em todas as instâncias
"Em todas estas instâncias, o corpo discente precisa estar representado por um número de delegados igual ao dos docentes, com mesma dignidade e idêntico poder de decisão pelo voto..." ÁLVARO VIEIRA PINTO - A questão da universidade, pág. 98.
"O cogoverno só poderá amedrontar aqueles elementos da classe professoral que receiam ver denunciadas sua incapacidade intelectual, ineficiência docente e desqualificações morais, ou levado ao conhecimento público seus compromissos com grupos econômicos e financeiros dominantes" - ÁLVARO VIEIRA PINTO, A questão da Universidade, pág. 99.


