domingo, 12 de abril de 2026

O discurso de esquerda nos moldes fascistas nas universidades públicas do Paraná

 Por volta de 1993, procurei em Belo Horizonte o filósofo padre Henrique Cláudio de Lima Vaz. Queria ouvir sua opinião sobre Álvaro Vieira Pinto, consequentemente, sobre o ISEB e Paulo Freire. Ganhei uns livros e revistas com artigos dele e uma maravilhosa lição para a vida intelectual de um neófito estudante de História. Não se poderia falar sobre Vieira Pinto sem falar do marxismo, da influência que o ISEB causou na vida de Álvaro. Vamos à lição dada por Lima Vaz. Na década de 1960–1980, o marxismo passou a ser uma joia que enfeitava o pescoço de gente bem arrumada quanto de maltrapilhas. Lima Vaz chamava isso de “ethos filosófico”. Era bonito, chique, ser diletante de marxismo, falar termos marxistas. Lição essa que permanece atual. O marxismo continua fora das universidades, varridas em 1991 por uma onda conservadora sem tamanho, substituído pelas teorias reacionárias vindas da Europa e pelo revisionismo brasileiro. Mas o status de ser de esquerda, progressista, denunciar o fascismo, falar do materialismo histórico com veemência em sala de aula, como se fosse revolucionário, é uma farsa, um ethos filosófico, com o qual determinados pulhas enganam a ingênua juventude universitária, principalmente a de Humanidades, enquanto no terreno da prática política buscam benefícios próprios do serviço público.

(Ponta Grossa, 12 de abril de 2026)