domingo, 18 de dezembro de 2011

Marxismo e partidos de esquerda em Ponta Grossa - 2011

Grupos de esquerda, em Ponta Grossa, se constituem em pequenos feudos, reduzido número de personalidades, em geral, com vinculação acadêmica, que reunidos discursam para si próprios. Suas explanações são tímidas, pois os demais companheiros já conhecem o falatório.

São semelhantes aos partidos do latifúndio e da burguesia onde o povo não participa nem é tema. Eles não o procuram. Contentes com o papel de grupelho de apoio que hes permite visibilidade, correrão atrás de políticos expressivos em busca de alguma assessoria parlamentar. Se a direita ignora em seus encontros as necessidade básicas, políticas sociais públicas, para os ponta-grossenses, porque o povo manipulado votará nela, a esquerda nem considera importante conhecer tais problemas. Conhece o estádio do Operário, as praias paranaenses, mas não os bairros abandonados, as residências em risco nas barrocas, o caos na saúde pública do município, nem consegue ler tais questões à luz do marxismo. No máximo, são análises acadêmicas. Anos passados me apresentaram em casa, um jovem empresário, político e militante do PT. Pretendia me visitar outras vezes, conversar sobre política. Quase duas horas de conversa, onde expús o que pensamento do conteúdo e do caráter da ideologia. Nunca mais retornou e o vi de relâmpago, poucas vezes, nas ruas de Ponta Grossa. Se decepcionara com a conversa, certamente. Posteriormente soube que, não apenas se frustrara comigo, quanto me considerava, absolutamente, irrelevante para a interpretação da política. Alegava, do alto de sua falta de estudos e oportunismo, uma limitação em meu pensamento, algo que não correspondia ao cotidiano da Câmara de Vereadores. Por que? Ele, tão petista, lá fazia concessões, tocava a música dos que, ao pedir votos, criticava. De repente a figura entrou num dos pseudo-partidos políticos de Ponta Grossa, dessas igrejinhas fundadas para veneração de personalidades incultas do planeta. O tal partido, praticante do culto a personalidade, ganhou uma boquinha no governo neoliberal do município e lá, o ex-petista, ganhou chefia comissionada para não trabalhar. Era isso que desejava e não o socialismo, a justiça, o bem do próximo. Claro, meus conceitos não lhe serviam, porque afirmo ainda, como dizia meu bisavô, homem tem que ter coerência e honrar o fio de bigode. Além do que, o socialismo deve começar comigo, em mim. Esses tais são socialistas até que está posição não os impeça de usufruir da oportunidade de cargos, mesmo que para enrolar e dispender dinheiro público que faria bem em problemas reais da população. Se essa oportunidade não se vislumbra, nem vende a alma para o diabo, apenas lhe devolve. Não dignifico tais pessoas, não acredito e jamais recomendo votos nelas sob quaisquer pretextos, nem mesmo o de amizade. Me referi acima à espécie do travesti na política. Mas há outro, o socialista pseudo-pragmático puro.

Alguns elementos das forças, que se pretendem de esquerda em Ponta Grossa, cujos referenciais teóricos, também, seriam meus, andam distribuindo a tabuletas e crachás de pureza ideológica e partidária. A categoria “teórico” está, consagradamente, atribuida à minha fala e escrita. Isso soa estranho, porque são eles que não falam sobre os problemas concretos da sociedade, realidade social, projetos de desenvolvimento econômico, acesso a níveis superiores de riqueza, dor, miséria, sofrimento, o penar da maioria. Não entendem. Tem sido incapazes de escrever três linhas, respaldados no marxismo, que se orgulham defender. Creio que, de sexo, talvez entendam e ainda assim não coloco mãos no fogo. Quem procurar nos jornais artigos de comunistas, petistas, socialistas variados, sobre os problemas sociais de Ponta Grossa não encontrará. Eu escrevo e sou classificado como de segunda categoria. Apresentando e desconsiderando meus escritos por ser “de um teórico apenas”. Não fosse a malandragem, o espírito pejorativo, consideraria elogio, pois ao menos, consigo formular proposta de pensamento respaldada em intérpretes de alto coturno da realidade brasileira. Todos sabem que nutro simpatias pelo pensamento isebiano, que considero atualíssimo, não datado e em especial pelo historiador Nelson Werneck Sodré. E nisto, pasmem! não estou sózinho, apesar do desprezo da esquerda. Fundou-se no Brasil, o Partido da Pátria Livre, cujas idéias devem ser consideradas e conquistam adeptos, pautado no nacionalismo econômico e desenvolvimentista.

Sempre recusei reuniões bobas e alientantes, aulas fantasmagóricas de marxismo, tal a pobreza ou inexistência de aplicação do materialismo histórico a realidade tão cruel quanto a paranaense, a pontagrossense, em particular. Cansei das poses, dos figurinos, do esquerdismo. Marxismo, socialismo, justiça social, materialismo histórico não são tranpolins para carguismo e personalismos. São questões de caráter, solidariedade, militância sem fins financeiros, pelo bem do Brasil e de sociedades locais em particular, e não ficarão restritos às igrejinhas intelectuais exibicionistas.

A pecha de teórico não me pertence. O socialismo, o espírito revolucionário, herdei desde os meus bisavós. Vim da roça, onde se praticava ainda o sistema de meeiro de plantação e onde crianças trabalhavam sem proteção trabalhista. Minha família foi vítima do latifúndio, cuja essência é a violência, ganância e desrespeito à terra. Dali, a realidade me levou ao socialismo e ao marxismo. Neles estou aferrado e não sucumbi, mesmo tendo vivenciado a desestruturação da saudosa União Soviética, que lamento. Ando a pé, de ônibus, pelos vários bairros de Ponta Grossa, cada cidadão que encontro, longe do conforto que usufluo como funcionário público, cada pessoa catando, não apenas, lixo mas, tirando dele seu sustento alimentar, me comove e entristece. Jovens envelhecidos pelo sol ardente, mães solteiras, o triunfo das drogas sobre a juventude, a falta de acesso a saúde com qualidade e dignidade e tiro daí minha reflexão. Coloco isso nos meus comentários. Teóricos são esses idiotas.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

NELSON WERNECK SODRÉ: crise na URSS e cisão do PCB

Rio, 01.08.92

Prezado Acir da Cruz Camargo, saúde e paz.

Recebi e estou respondendo a sua carta de 28 de julho p. findo. Quero, preliminarmente, lhe agradecer os termos que tão generosamente se refere ao que tenho feito. As recompensas do trabalho intelectual são poucas, na verdade. Mas, entre elas, está, com enorme importância, a de proporcionar ao autor angariar amigos que ele não conhece, que são seus amigos tão somente porque apreciaram as suas obras. É extremamente reconfortante, quando isso acontece.

Passo a responder as suas duas perguntas. Sobre o analfabetismo, e a maneira de combatê-lo: como é sabido, o analfabetismo declina na medida em que o desenvolvimento material avança; assim em sociedades capitalistas avançadas (Alemanha, Estados Unidos e outras) o analfabetismo tende a desaparecer. O nosso, o brasileiro, está intimamente ligado e dependente do atraso do país. Na medida em que avançamos, progredimos, mesmo no nível meramente material, ele tende a declinar e está declinando. Pode, pois ser erradicado, sem nenhuma dúvida. As áreas socialistas praticamente acabaram com ele. Mesmo em Cuba, com seu passado colonial, teve êxito nesse propósito e não foi isto dos menores méritos do regime ali instaurado. Claro que a alfabetização e a cidadania são sempre conjugadas.

A segunda pergunta merece resposta mais circunstanciada. Claro está que a crise na União Soviética (que foi uma crise da União Soviética e não uma crise do socialismo) acarretou consequências em todo o mundo. No Brasil, acentuando uma linha que já dera alguns sinais antes, provocou o aparecimento de uma ala, no próprio PC, que marchou para uma revisão do partido e de tudo o mais que dizia respeito a sua atuação. Essa tendência, que já existia e progredia, aproveitou a crise para realizar, em dois congressos com pequeno intervalo entre um e outro, alterações que motivaram a cisão. Pessoalmente, tenho amigos nas duas alas e fiz o possível para que não chegasse a tal cisão. Tenho muitas dúvidas sobre se a abolição do símbolo histórico da foice e do martelo e a mudança do nome do partido significam mais do que problemas superficiais. Havia necessidade de mudar, realmente, algumas formas de proceder. Mas não havia que mudar, no meu modo de ver, o essencial da conduta partidária. Estou certo de que as duas alas estarão juntas, face aos problemas essenciais que se apresentarão no cenário político brasileiro. Como estou certo de que a crise na União Soviética está longe de ter chegado ao fim: é uma novela em seus primeiros episódios. Posso lhe assegurar, de mim, que estou, mais do que nunca, aferrado ao socialismo e ao marxismo, fora dos quais não vejo saída para a sociedade humana e para a brasileira em particular.

Creia na estima e apreço do

Nelson Werneck Sodré

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

NELSON WERNECK SODRÉ: história nova e materialismo histórico no Brasil

Rio, 18.01.93
Prezado Acir da Cruz Camargo, saúde e paz. Respondo sua carta de 08 de janeiro corrente, ponto por ponto. Agradeço as correções ao meu livro A ofensiva reacionária. Nunca sou eu quem corrige os originais ou as provas e padeço, como todo autor, do problema das incorreções no texto. É preciso ter paciência. Suas correções serão introduzidas em uma nova reedição possível. Vou lhe enviar uma obra minha que tem a relação de todos os meus livros. Não tenho cópia do artigo sobre Álvaro Vieira Pinto e o jornal Diário de Notícias desapareceu. Osvaldo Costa, um dos maiores jornalistas brasileiros, já falecido, foi o diretor e editor de O Semanário. Genese e formação da consciência nacional é o mesmo Consciência e realidade nacional, obra de Álvaro Vieira Pinto. Alceu Amoroso Lima não se recusou a falar no ISEB; trata-se de uma mentira divulgada na época. O livro publicado em Moscou tem título em russo, língua que desconheço. Não foi posto à venda no Brasil, nem foi traduzido. Pedro Celso Uchoa é, atualmente, professor na Universidade de St. Louis, nos Estados Unidos, Missouri. Foto minha só tenho antiga. Vou ver se encontro. Eu não disse que os textos do ISEB não se baseavam no materialismo histórico. Disse que os textos da História Nova é que nele não se baseavam. E disse certo, pois tais textos, embora revelem nos autores conhecimento do materialismo histórico, foram propositadamente, redigidos de maneira livre, isenta de fidelidade ao materialismo histórico, uma vez que seriam editados, como foram, pelo MEC e isso nos impossibilitava de obedecer, ortodoxamente, ao materialismo histórico. Tais textos eram alternativos, para os professores, que, sem eles, só dispunham dos compêndios de clara indigência terrível. Fazendo um trabalho para o Estado, não podíamos aplicar, a rigor, um método que o Estado não apreciava. A mente dos autores, pelo menos naquele tempo (alguns mudaram de posição) era norteada pelo materialismo histórico. Considero Formação histórica do Brasil o meu livro fundamental. Não sei se é o melhor, mas é o que assinala um rumo que seria o meu pelo resto da vida. Por último, não conheço nenhum estudo especial, em livro, sobre a minha obra. Quanto à entrevista, é preciso apenas combinar dia e hora. Pois sempre viajo. Agora mesmo estou de partida para S. Paulo, onde devo permanecer um mês. Abraços do amigo Nelson Werneck Sodré

NELSON WERNECK SODRÉ: História nova, história e marxismo no século XX


Rio, 05.05.94

Prezado Acir da Cruz Camargo,

saúde e paz. Acuso recebimento de sua carta de 02 de maio corrente, que passo a responder. Em primeiro lugar, meus agradecimentos pela sua lembrança do meu aniversário. Na verdade, velhos não comemoram aniversários, mas é sempre bom ser lembrado pelos amigos. Claro que, no âmbito da crise geral e da crise da cultura brasileira em particular, a da Universidade é natural. Nela, por isso mesmo, a História está sendo abandonada ou posta em segundo plano. E o marxismo, em consequência, como é próprio da época.

Como você, fiquei decepcionado com o depoimento do Pedro Figueira, na edição que o editor Giordano fez da História Nova. Creio que é um problema de esclerose e nada mais. As correntes pretensamente inovadoras, no campo da História e de seu ensino, correspondem à crise da época em que vivemos e à ofensiva da reação em todos os campos. Isso passa. Não deve preocupar os que se entregam ao estudo da História enquanto ciência e ao materialismo histórico, que a colocou nos devidos termos. Quem me iniciou no estudo da História foi o meu professor dessa matéria, no Colégio Militar do Rio de Janeiro, em 1926. Ele se chamava Isnard Dantas Barreto e foi um grande professor. A História do Brasil é uma parte da História abrangendo o tempo histórico e todo o espaço. Ela é uma ciência, sem a menor dúvida, aliás, a ciência das ciências, pois a todas é possível estudar pelo método histórico. Quando tirar retrato não me esquecerei de lhe enviar uma cópia.

Abraços do

Nelson Werneck Sodré

PS. - As suas cartas não me importunam. Ao contrário.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

NELSON WERNECK SODRÉ: um general contra o neoliberalismo

Rio, 21.07.96

Prezado Acir, saúde e paz.

Respondo sua carta de 12 do corrente.

A correspondência com os amigos não representa peso para mim. Apesar dos 85 anos completados, continuo em atividade, agora, no combate à última praga que nos chega, o neoliberalismo.

A relação entre o ISEB e Paulo Freire, como a minha relação com o trabalho dele existiu de fato. Não participo da posição de Vanilda Paiva em relação a ele, apesar da consideração que tenho por ela.

Não espanta a sua dificuldade em encontrar as minhas obras. Elas estão esgotadas, na maior parte e o mercado editorial sofre a crise imposta pelo neoliberalismo. Com um pouco de paciência, creio que voce conseguirá completar a sua coleção.

Cláudio Giordano, editor benemérito e audacioso, gostaria de reeditar a História Nova mas as dificuldades são insuperáveis. A opinião do professor, que voce resume, é uma opinião: nada tem a ver com o que escrevi.

O plano econômico de FHC é uma enfermidade universal; e a Revolução brasileira vai avançar, apesar dele. Há uma ala da burguesia que, ligada ao mercado interno principalmente tem interesses no nacionalismo. E por isso vem sendo esmagada.

Abraços,

Nelson.

Nelson Werneck Sodré - o que é História

Rio - 27.09.93

Prezado Acir da Cruz Camargo,

saúde e paz. Respondo sua carta de 16 do corrente. Fico muito satisfeito em saber de sua pesquisa sobre a minha obra. Grato por isso. A leitura dos autores que fizeram críticas à minha obra e ao ISEB é também merecedora de estima. Já tive a oportunidade de escrever que são os nossos adversários, adversários das nossas idéias, que fornecem o nosso verdadeiro perfil, justamente porque destacam o que não somos, o que é tão importante quanto o que somos. Respondo por isso com prazer ao questionário que acompanha a sua carta, ponto por ponto. Antes que me esqueça: o livro sobre populismo já foi encontrado e remete-lo-ei na próxima semana. Estou dependendo apens da pessoa que ficou de me trazer em casa exemplares desse livro. E vamos ao questionário.

1. O fato de autores da USP (só conheço um, aliás) me acusarem de seguir uma linha esquemática e estalinista não tem, para mim, a menor significação. Corresponde, apenas, a uma posição negativa que faz parte da luta ideológica. Nós, no ISEB, não postergávamos a luta de classes, absolutamente. O ISEB tinha vários professores e, conquanto, depois de grave crise, preponderasse ali uma linha marxista e nacionalista, a verdade é que ela comportava variantes. Alguns críticos, anti-isebianos por vários motivos, estavam mais à esquerda do que os isebianos, acusavam-nos, a nós do ISEB, de não sermos suficientemente esquerdistas. Acontece que eles, os críticos, não eram marxistas. Não fomos, pois, revisionistas, muito ao contrário. Voce pergunta: "Por que um marxista, num dado momento, deixa de pensar a luta de classes e sim uma aliança de classes". Ora, isso não deriva de desejos; deriva da realidade. Corresponde à necessidade de estabelecer aliança com uma classe para derrotar a outra, aquela que, na fase é, é a principal inimiga. Isso acontece com frequência na História e não depende apenas da vontade das pessoas.

2. Como conciliávamos, no ISEB, eu e os companheiros, a questão da luta de classes com a aliança com a burguesia nacional, naquela fase para enfrentar o imperialismo? O inimigo principal era o imperialismo. Os nossos críticos desejavam que, por fidelidade a um princípio teórico, abandonássemos a luta ou nos isolássemos. Havia, na burguesia nacional, contradições com o imperialismo. Isso nos aproximava dela; ou, antes, ela se aproximava de nós. Não me recordo das colocações do companheiro que escreveu Consciência e realidade nacional, livro importante que precisa ser lido com senso crítico. Claro está que jamais entendemos a aliança como esquecimento de que há uma exploração do trabalho, luta de classes. A aliança da fase não importava em ignorar isso ou negar.

3. Temos, realmente, a mais retrógrada burguesia, na História. Isso, entretanto, não importa em negar, na sua parcela nacional, contradições com o imperialismo, que é um dado da realidade. Enquanto ela aceita tais contradições, tem condições de lutar com o trabalhador, não para estabelecer o socialismo, mas para enfrentar, transitoriamente, um inimigo comum.

4. Sempre pensei que as teorias que defendi, na teoria e na prática, eram, e são aplicáveis a todos os povos latino explorados do mundo, particularmente aos latino-americanos.

5. O Fascismo cotidiano é um livro, editado em São Paulo, em 1990, pela editora Oficina de Livros (Av. Brigadeiro Luiz Antonio, 469, s. 83, cep 01317-001, São Paulo).

6. Não tenho notícias de recentes comentários, resenhas ou críticas ao meu livro Formação histórica do brasil. Isto faz parte da política de abafar pelo silêncio, usual entre nós, na luta ideológica.

7. Não tive formação universitária em História. Sou, nela, um autodidata. No meu tempo, não existiam estudos universitários de História. Não havia faculdades de Filosofia, nem mesmo Universidades, nem Institutos de Letras. E a vida militar, depois, me impediu que, mesmo adulto ou velho, me matriculasse nas que apareceram. Os de formação acadêmica me criticam e alegam essa ausência de diploma para me negar. Na verdade, o ensino de História, nas Universidades, está muito distante daquilo que eu aceito como História. É uma forma de alienação. Já dei cursos em diversas Universidades, cursos avultos. Nunca exerci a cátedra universitária, nem desejo exercê-la.

É o que me acode para responder aos quesitos propostos. Fico ao seu dispor para mais. Um abraço ao Pedro, Outro em voce do

Nelson Werneck Sodré

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Nelson Werneck Sodré critica o ensino de História em Ponta Grossa

Rio, 22.03.93

Prezado Acir da Cruz Camargo, saúde e paz.

Ausente do Rio por mais de mês, encontrei, de volta, a sua carta de 04 do corrente. Esta a razão da demora em respondê-la. Vamos, ponto por ponto.

Ainda não lhe enviei a relação dos meus livros publicados porque ela consta de um deles e precisa ser atualisada. Logo a terá em mãos.

Quanto às afirmações do professor a que se refere, refletem a sua mentalidade. Afirmar que a tese do feudalismo no Brasil foi por mim esposada por imposição do PCB não é apenas uma inverdade, é uma calúnia, costumeira na boca de pessoas do quilate desse que "ensina" História em Ponta Grossa. Também é clamorosa inverdade a afirmação de que me retratei da idéia da existência de feudalismo no Brasil. É outra mentira vulgar, agora deslavada porque ultrapassa o nível da simples opinião para mencionar um fato inexistente. Agora a sua pergunta: nao revi a afirmação de que o movimento de 1930 foi parte da revolução burguesa no Brasil. Ela está de pé em meu trabalho Capitalismo e revolução burguesa no Brasil, editado pela Oficina de Livros, S. Paulo.

Um abraço do amigo,

Nelson Werneck Sodré