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quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Esquecimento histórico do povo de Guaragi

Historicamente, Ponta Grossa nunca formulou políticas públicas direcionadas às populações distritais. Guaragi, Itaiacoca, Piriquitos e Uvaia são tratados como quintal da sede e chácaras de veraneio dos terríveis políticos, que aquelas populações elegem. Guaragi exemplifica como políticos estupram o povo. Comportam-se como águias famintas ante a carne dilacerada de gente que mereceria respeito, dignidade e riqueza. O distrito padece de graves problemas sociais. A péssima situação da infância, desprotegida, com violência moral que clamam pela atuação diária de organismos públicos, se faz imperiosa, Promotoria pública, Serviço social, Juizado da adolescência e sub-delegacia. Ali verificar se há ou não trabalho infantil e pedofilia, pestes que exigem cuidadosa sondagem e enfrentamento. A indiferença dos poderes, Executivo e Legislativo, que é propositada, classista, fomentadora de alienação e escravidão, machuca a sociedade. Guaragi necessita de políticas efetivas, sem discurso, práticas e transformadoras para infância, adolescência e juventude. Os guaragienses devem deixar de se comportarem como ovelhas mudas caminhantes para o matadouro eleitoral dos hipócritas e farsantes guias políticos. Os candidatos tem se dizem daí, mas são deles somente. Esta é a oportunidade da juventude distrital se organizar, discutir por si as condições de vida na vila, os aspectos que deseja para o desenvolvimento pleno da comunidade, sem a interferência da mentira e do oportunismo. Buscar consciência crítica, escolhendo programa social, popular e revolucionário que modifique sua realidade, que expresse o amor ao povo e emancipe o distrito, rompendo com o espírito de acomodação aos discursos mirabolantes, superados paradigmas. Que Guaragi não reeleja os mesmos. O Grupo Escolar Dr. Munhoz da Rocha é o centro irradiador do pensamento e da cultura local e ali deve frutificar melhor consciência. A revolução cultural, política e econômica de Guaragi passa pela esperança e coragem da sua juventude, que busca na educação e na escola dias melhores. E a pauta presente, será a reivindicação de direitos de amplo acesso aos centros universitários em Ponta Grossa. Ter respeitado e feito seu direito de conhecer a UEPG, os diversos cursos que tem vínculo direto e racional com a realidade distrital e nela ingressar. Mesmo sendo área rural, a população carece de professores com pos-graduação, filósofos, psicólogos, historiadores, geógrafos e educadores qualificados. O sistema escolar e o professorado distrital merecem constituir categoria particular e especial. O regime de dedicação exclusiva a população é o que melhor convém a estes mestres. O distrito está calado e disto fazem proveito os medíocres candidatos eleitos lá, diante da necessidade de melhorias no acesso a capital municipal. É urgente a necessidade de ampliar a oferta de linhas de ônibus, intervindo o Poder público, para que o desejo de lucro da concessionária não relegue ao desprezo uma geração que pode demonstrar grandeza ao país. Guaragi continua com as mesmas dificuldades dos velhos tempos do SANDU e do ônibus do Vantroba. Rezemos para que Deus guarde a sociedade guaragiense das bestas políticas do município que encaram como modernidade a destruição de patrimônio histórico e espera-se que a UEPG seja atalaia no muro e empreste sua respeitabilidade para que as ricas fontes históricas arquitetônicas de Guaragi não adentre ao signo das demolições como assistimos no centro de Ponta Grossa na calada da noite.

sábado, 28 de janeiro de 2012

GUARAGI: história e política atual

Guaragi, a Vila, tem rica e honrosa história, desconhecida de seus atuais moradores, consequência da escalada de alienação a que, diariamente, nosso povo, especialmente os adolescentes são submetidos, dado o grau de desesperança que a ineficiente classe política fomenta. De município autônomo de Entre Rios, distrito de Palmeira a esquecida unidade territorial de Ponta Grossa, a vila tem currículo capaz de constar figuras da cultura nacional à figuras mitológicas que pesquisados com rigor, subsidiariam monografias no âmbito da história cultural e biográfica. De Ari Fontoura, Marianinho, Maíco, Xica do Santo, Estevão Woyciechosvski, Nho Bita, Seu Orestes, Jair Silva – juiz de paz, Caminho Grande, Tafona do Durvá, Delegacia Velha – depois moradia e igreja evangélica, posto de correios do Velho Aquiles, Coletoria Estadual, Delegado Maneco da Ximbica, Clube Velho, Coreto e a instituição mais importante da Vila, o Grupo Escolar Dr. Munhoz da Rocha. Pelas estradas empoeiradas de Guaragi transitaram famosos caminhões da Alfa Romeu e os temíveis andarilhos, com saco nas costas, pedindo água e comida nas casas. Guaragi resulta do esforço isolado e destemido de um povo ecletico, imigrantes poloneses, italianos, russos e gaúchos desertores. Politicamente, tímido e reservado, o povo guaragiense, em velhos tempos foi ardoroso varguista, embora a ditadura militar tenha aplicado trágico e destrutivo golpe na juventude do distrito. Mesmo assim, marcou fase e deu resultado o trabalho educativo feito em épocas de arbitrio, por professores conscientes e valorosos como Lúcia Schafranski Werner, Roseli Belz, Marize Santos, Anna Celusniak Woyciechosvski, Evani Mendes Machado, Elza Mendes, Nadir de Mattos Cardoso e a professora Marlene. O acesso dos populares ao ensino fundamental e médio ali, nasceu do coração apaixonado pela educação de Romeu de Almeida Ribas e Geny de Souza Ribas, que providenciaram condução para transportar a mocidade até os Colégios de Ponta Grossa, também à dedicação de Lúcia Werner e Roseli Belz, protagonistas da implantação do ensino ginasial.

A modernização e urbanização do modo de produção capitalista implantada pelo regime fascista de 1964 e aplicada em Ponta Grossa na gestão Cyro Martins e Luiz Gonzaga Pinto, retirou a juventude do distrito para a vida moderna da cidade e os laços culturais, a identidade com o berço sagrado de nascimento foi se perdendo. Atualmente Guaragi é um apêndice esquecido, não parte do programa administrativo da Prefeitura, relegado pelas classes dominantes no poder, que da população querem apenas o voto. A riqueza material produzida na Vila não permanece em benefício dos habitantes, se perde no desperdício da classe dominante do centro e nos gastos desnecessários dos políticos e poderes instituidos. Guaragi já deu a sociedade brasileira bons frutos, gerentes de banco, políticos, professores dedicados, guarda presidencial, pensadores, educadores mas, infelizmente, não teve político a altura de suas necessidades e merecimentos, comprometidos com políticas progressistas, associadas as classes necessitadas da nação brasileira. O distrito de Guaragi não tem representação política decente, prática e efetiva. Está abandonado à violência, aos absurdos desvios de ordem familiar, a condição da infância ali é perigosa, preocupante e clama atenção das autoridades constituidas. A desescolarização atinge parcela significativa da juventude o que implica em descaminhos dos vícios, drogas e desrespeito ao patrimônio público.