quinta-feira, 26 de julho de 2012

Novo brasileiro - novo currículo

A escola tem que ser humanista.
As licenciaturas tem que formar professores e não meramente pesquisadores especializados. Quem ensina nos cursos de formação docente deve estudar e pesquisar educação.
A Universidade não é o melhor lugar para se formar um professor. Ela deforma. Primeiro, porque ela acha que sabe tudo sobre ensino e educação e está, cabeludamente, longe da escola fundamental. Os professores da escola básica deviam ser convidados para partilhar experiências e orientar estudantes da licenciaturas e de forma remunerada.
Sugiro algumas disciplinas, trabalhadas num contexto contemporâneo, com professor dedicado e a renovação de alguns métodos eficazes de aprendizado:
Educação Moral e Cívica, livros de leitura, ditado, escrever no quadro, copiar, muita tarefa, pesquisa em bibliotecas.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Fracasso da escola e formação em licenciatura

A universidade possui colegiados de licenciatura, conselho de ensino, estágio curricular obrigatório, projetos de pesquisa, financiamento do CNPq, mestrados em educação e ciências humanas, oferece cursos de aperfeiçoamento e atualização didática, porém a escola básica continua paupérrima, deficitária, certificando indivíduos e não formando cidadãos. Nenhuma instituição de ensino superior assume, sua irresponsabilidade com a sociedade, com os profissionais diplomados anualmente. Esconde-se atrás do bordão de que após entregar o diploma, sua responsabilidade termina. Não se nega o dever do licenciado com a qualidade de sua existência espiritual e profissional. A irresponsabilidade gesta-se nas entranhas do ensino universitário. A etapa pré-universitária, ignorando-se a idiotice que representam os cursinhos pré-vestibulares, máquina comercial que se aproveita da extraordinária indigência cultural desenvolvida nas universidades, combinação de péssimos alunos com professores desensinadores. As razões desse caos em nossa história da educação, tem fatores externos, como o descaso das autoridades governamentais, que esbanjam dinheiro no pagamento dos políticos e burocratas e pauperizam a escola, ensino e mestrese. Mas existem determinantes íntimos, a convicção profissional e concepção antropológica do ensinador. Em nossos dias a sala de aula pouco ensina. Professores e alunos se emburrecem progressivamente, estacionados nas receitas ocasionais do método e outros avançam níveis seguintes sem ter aprendido noções básicas do anterior. As escolas certificam alunos que não mais frequentam bibliotecas, não consultam dicionários, não levam tarefa para casa, não praticam exercícios de aprendizagem. Do prédio escolar chegam em casa, sem incentivo familiar e social, nenhuma tarefa que os recorde da sala de aula. Os nossos estudantes não tem vontade de ler e a importância disso não lhes é repassada. Os livros didáticos modernos se constituem numa vergonha estrondosa. Dizem muito, ensinam, mostram e estimulam pouco. Professores, escolas, pais e alunos devem revisitar os antigos livros didáticos, que por motivos históricos e de teorias educacionais os atiramos no lixo da historia. Na Universidade temos que discutir a forma e o conteúdo do livro didático, mesmo que não tenha professores que formem professores, mesmo cheia de especialistas. Tanto o livro quanto o professor antigo ensinavam. Em termos de formação, as licenciaturas produzem um ser ambíguo. Faz licenciatura, mas obriga-se a pesquisar temas de áreas específicas, alienadas da educação. Quantos projetos contemplando temáticas educacionais estão no catálogo dos nossos cursos? Além disso, a Universidade ainda está presa ao que é mais retrógrado, a reforma departamentalizadora de 1968. Os departamentos se constituem na grande praga que atravanca a formação de professores, porque permite a individualização tanto dos docentes, fechados em si, sem comunhão com os outros e com as outras disciplinas, em guerras pessoais que duram até a aposentadoria, quanto facilitam que o contratado possa responder, fui chamado para ensinar esta disciplina, não para ensinar dar aula. É preciso que a formação de professores esteja a cargo de Colegiados apropriados para isto, com professores contratados, verificados nas bancas, para isto. Se o professor lecionará para licenciatura, deverá ter em seu currículo, breve formação na área de filosofia da educação, fundamentos elementares em educação.

quinta-feira, 8 de março de 2012

História Nova do Brasil e a República para nossas escolas

O advento da república

História Nova do Brasil, pág. 49 a 99

Editora Brasiliense



A República resultou das lutas travadas pelos grandes contingentes urbanos das camadas médias apoiadas por todos os setores populares da nação, da burguesia nascente e fração do latifúndio do café que abandonara o trabalho escravo.

Os Senhores de terras, uns ligados de há muito ao trabalho assalariado e que lutaram, portanto, contra o Império, pela Abolição, não mais apoiaram a Monarquia, vindo a participar da nova política de governo; outros aferrados que estavam ao trabalho escravo e servil, não tinham forças para resistir: estavam impotentes. Compor-se-iam, mais tarde, para afastar “os excessos do republicanismo” e tentariam um golpe de Estado, ainda com Deodoro. Conseguiram dar início, com o Governo Prudente de Morais, ao domínio das oligarquias.

A participação da burguesia, pequena porque limitada era sua força na época, permitiu que usufruísse do poder. Nessa linha estão as emissões, de Rui Barbosa, no Ministério da Fazenda, possibilitando crédito e incentivando a formação de companhias, e a revogação do empréstimo imperial aos latifundiários como “indenização” pela perda de seus escravos.

A República, enquanto representação de certas forças sociais, caiu, mas as transformações estruturais que, em curto período, realizou no domínio econômico ficaram e se desenvolveriam, voltando a eclodir na Revolução de 1930, já em novo nível de desenvolvimento. No breve período republicano em que estiveram no poder forças progressistas da nação, criaram-se mais indústrias do que em todo o tempo do Império.

A força preponderante do movimento republicano repousou nos contingentes das camadas médias, já que o operariado, embora participando, como atestam várias greves, era ainda incipiente. O Exército, pela sua origem, e com a força e organização que lhe são inerentes, representou a vanguarda da classe média e de todas as classes sociais que apoiavam a mudança do regime político.

A República importou em dar vários passos à frente em nossa estrutura política. O novo regime terminou com o grotesco Poder Moderador, com a vitaliciedade do Senado, com o direito do voto fundado na renda. A passagem de Rui pela pasta da Fazenda repercutiu como uma rajada renovadora naquele velho ambiente. O governo de Floriano empolgou e conscientizou o povo.

O estudo dessa época, que alguns denominam de crise da República, mas que foi realmente de crise para o latifúndio, encontra-se no capítulo seguinte. Mostra a primeira experiência brasileira de governo democrático, com as deficiências e as ingenuidades que as limitações da época nos impunham, mas com realizações que precisam ser analisadas e estudadas como importante manancial de experiências e ensinamentos para o nosso povo, e um vasto repositório de suas mais legítimas tradições.

Indicações bibliográficas

BOEHER, George C. A – Da monarquia à República: história do partido republicano do Brasil – 1870-1889. Rio;

CRUZ COSTA, João. Contribuição à história das ideias no Brasil. Rio, 1956.

FURTADO, Celso. Formação econômica do Brasil. Rio, 1959;

PRADO JÚNIOR, Caio. História econômica do Brasil. São Paulo, 1959;

PRADO JÚNIOR, Caio. Evolução política do Brasil. São Paulo, 1957;

SODRÉ, Nelson Werneck. Quem é o povo no Brasil. Rio, 1962;

VIANA, Oliveira. O ocaso do império, 3ª ed. Rio, 1957;

VILELA LUZ, Nícia. A luta pela industrialização do Brasil. São Paulo, 1961.




segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Promiscuidade partidária em Ponta Grossa - mentira potencializada

Ponta Grossa tem o típico perfil de indivíduo que nasceu para desconstruir a cidade. A grande vantagem é que a História sequer mencionará tais figuras na posteridade. Outro problema, os nossos jornais são reféns do desejo de aparecer com melancia no pescoço dessas monstruosidades políticas.
Romualdo Camargo é representante máximo desse tipo de travesti político. Recentemente, o Jornal da Manhã considerou importante noticiar que a figura estaria fundando em Ponta Grossa, uma mixórdia agremiação, denominada de PGT do B. É para acabar! Todos esses prostíbulos políticos não são partidos. Fazem parte de uma única e mesma merda que tantos males faz a sociedade brasileira. Não é inocente que o presidente do PGT do B é igualmente do PSDC e tem outras histórias. Me lembro que depois de contato com a incompetente direção estadual do Partido Comunista Brasileiro, em Curitiba, para surpresa, recebi uma ligação de alguém, nada menos que o Sr. Groebells, incumbido pelos irresponsáveis marxistas do Paraná, de falar comigo. Na sua apresentação, as coisas iam de mal a pior. Groebells me dizia que fora fundador do PRN (se não me engano), do PSB e tal. Sua especialidade era fundar partidos. Um cidadão que funda e presida um PRN e depois um PCB... não está bem de saúde, nem os que assinam fichas de filiações nesses feudos. Agora mais um na coleção desses sem vergonhas da nossa política.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Movimento Estudantil pontagrossense - Enfrentando o neoliberalismo - 2012

A primeira tarefa do estudantado da UEPG é exigir que o Reitor abandone um governo que é reacionária, anti-educação, anti-social e sucateador do ensino superior. Primeiro passo. A luta começa aqui e não em Curitiba. Se o Reitor continuar filiado na conjugação DEMO-PSDB está somando força contra a Universidade paranaense como um todo. É raposa cuidando do galinheiro.
A segunda tarefa dos alunos esclarecidos da Universidade - começando na UEPG - é efetuar sondagem de como os candidatos da base de sustentação do governo estão sendo vistos pelos alunos. Num estudantado que endeusa Michel Trenó não se brinca que Marcelo Ranhel e Prato Miró tenham livre trânsito. É sinal de que há uma comunidade despolitizada.
A terceira tarefa é efetuar levantamento sobre ações científicas, resultantes da pesquisa e da posgraduação, realizadas no âmbito da UEPG, estão sendo levadas às comunidades da região, influindo politicamente na qualidade de vida, ou se projetinhos continuam se resumindo a esqueminhas entregues nas pró-reitorias para garantir TIDE. Verifique-se aí a enfase nenhuma que a UEPG dá nas áreas de Ciênci...as Sociais, Humanas. Curso de Medicina (sem conteúdos pedagógicos, sem Antropologia, sem Filosofia, sem Psicologia), Curso de Nutrição, Curso de Fisioterapia. Quando teremos curso de Filosofia, Ciências Sociais, Psicologia?
 
Quarta tarefa revolucionária - ampliar a representação estudantil na Universidade. Tantos quantos forem os professores em todos os Conselhos Superiores, tantos quantos devem ser os alunos. Nos Colegiados de Curso cada turma deverá ter seus dois representantes, o mesmo procedimento nos departamentos de ensino e nos Setores de Ensino (que deveriam ser extintos porque são inúteis).
Quinta tarefa - pressionar a UEPG para romper com o abstracionismo e com a educação bancária. Política de cotas, questão índigena, cotas de escola pública, formação de professores nas licenciaturas, caminhar na contramão das coordenações tecnicistas dos cursos, trazendo pessoas destes grupos e classes para falarem aos estudantes, utilizando-se de disciplinas como Laboratório de Ensino, Tópicos Especiais, Semanas Acadêmicas.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Esquecimento histórico do povo de Guaragi

Historicamente, Ponta Grossa nunca formulou políticas públicas direcionadas às populações distritais. Guaragi, Itaiacoca, Piriquitos e Uvaia são tratados como quintal da sede e chácaras de veraneio dos terríveis políticos, que aquelas populações elegem. Guaragi exemplifica como políticos estupram o povo. Comportam-se como águias famintas ante a carne dilacerada de gente que mereceria respeito, dignidade e riqueza. O distrito padece de graves problemas sociais. A péssima situação da infância, desprotegida, com violência moral que clamam pela atuação diária de organismos públicos, se faz imperiosa, Promotoria pública, Serviço social, Juizado da adolescência e sub-delegacia. Ali verificar se há ou não trabalho infantil e pedofilia, pestes que exigem cuidadosa sondagem e enfrentamento. A indiferença dos poderes, Executivo e Legislativo, que é propositada, classista, fomentadora de alienação e escravidão, machuca a sociedade. Guaragi necessita de políticas efetivas, sem discurso, práticas e transformadoras para infância, adolescência e juventude. Os guaragienses devem deixar de se comportarem como ovelhas mudas caminhantes para o matadouro eleitoral dos hipócritas e farsantes guias políticos. Os candidatos tem se dizem daí, mas são deles somente. Esta é a oportunidade da juventude distrital se organizar, discutir por si as condições de vida na vila, os aspectos que deseja para o desenvolvimento pleno da comunidade, sem a interferência da mentira e do oportunismo. Buscar consciência crítica, escolhendo programa social, popular e revolucionário que modifique sua realidade, que expresse o amor ao povo e emancipe o distrito, rompendo com o espírito de acomodação aos discursos mirabolantes, superados paradigmas. Que Guaragi não reeleja os mesmos. O Grupo Escolar Dr. Munhoz da Rocha é o centro irradiador do pensamento e da cultura local e ali deve frutificar melhor consciência. A revolução cultural, política e econômica de Guaragi passa pela esperança e coragem da sua juventude, que busca na educação e na escola dias melhores. E a pauta presente, será a reivindicação de direitos de amplo acesso aos centros universitários em Ponta Grossa. Ter respeitado e feito seu direito de conhecer a UEPG, os diversos cursos que tem vínculo direto e racional com a realidade distrital e nela ingressar. Mesmo sendo área rural, a população carece de professores com pos-graduação, filósofos, psicólogos, historiadores, geógrafos e educadores qualificados. O sistema escolar e o professorado distrital merecem constituir categoria particular e especial. O regime de dedicação exclusiva a população é o que melhor convém a estes mestres. O distrito está calado e disto fazem proveito os medíocres candidatos eleitos lá, diante da necessidade de melhorias no acesso a capital municipal. É urgente a necessidade de ampliar a oferta de linhas de ônibus, intervindo o Poder público, para que o desejo de lucro da concessionária não relegue ao desprezo uma geração que pode demonstrar grandeza ao país. Guaragi continua com as mesmas dificuldades dos velhos tempos do SANDU e do ônibus do Vantroba. Rezemos para que Deus guarde a sociedade guaragiense das bestas políticas do município que encaram como modernidade a destruição de patrimônio histórico e espera-se que a UEPG seja atalaia no muro e empreste sua respeitabilidade para que as ricas fontes históricas arquitetônicas de Guaragi não adentre ao signo das demolições como assistimos no centro de Ponta Grossa na calada da noite.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Em memória de Victor Folquening - Partiu cedo demais!

A prematura e inapropriada morte, de forma grosseira, do Professor Victor Folquining, tanto do plano pessoal, da figura humana que era, quando cultural, da sua capacidade intelectual, é perda irreparável à cultura paranaense e ao pensamento comunicacional.


Conheci o jornalista nos seus tempos de acadêmico, através de do Dr. Rodrigo Czajka,hoje Professor Adjunto na UNESP, na época acadêmico de Filosofia da UFPR e Victor, concluindo seu TCC na UEPG. Fomos à casa de Victor na Bonifácio Vilela conversar sobre o Caderno Mais da Folha de São Paulo, objeto de suas preocupações acadêmicas, cuja coleção eu guardava.


Posteriormente troquei algumas correspondências, com o então, redator de jornais e chefe de sucursal, sempre prudente, silencioso e comedido com minhas críticas e sugestões de pauta. Numa viagem a Curitiba, Rodrigo e eu fomos ao apartamento de Victor, em busca do livro "Jornalismo é humanismo?" cuja análise e crítica pretendíamos fazer, já que o conceito de humanismo causava-nos algum incômodo.


Encontrei-me, pela última vez, com Folquening, no final de 2011, quando por intermédio do Dr. Sérgio Luiz Gadini, compunhámos uma Comissão Julgadora de algumas biografias selecionadas pela Secretaria de Cultura do Município. O encontro durou quase duas horas e serviu como presente a mim, de conversas que sempre deveria ter tido com o jornalista Victor Folquening. Explanou os bastidores das empresas jornalísticas, das redações, da produção da notícia. Na ocasião conversou longamente com o escritor Miguel Sanches Netto sobre as agruras de colunistas. No final da conversa empenhamos uma dívida que deveria ser mútua, ele e eu acertaríamos uma data para tomar alguma coisa em algum lugar da cidade, convite que, sendo de Victor, aceitei pensar. A impressão mais fundamental que me marcou aquele encontro, foi a humildade intelectual do professor universitário, em relação a mim e às concepções teóricas e políticas que sustento. De comum acordo, ele, a pessoa que mais argumentou cientificamente, autor das mais profundas análises dos trabalhos, Carolina Mainardes e eu aprovamos dois trabalhos, sem quaisquer dúvida quanto a forma e ao conteúdo. Minhas convicções teóricas em História me incomodavam com a validade de um dos trabalhos, feito sobre figura assaz simples de nossa cultura e serviço social. Arrisquei argumentar que deveríamos eleger também um trabalho que tratava de pessoas, em geral, não visíveis na historiografia erudita e mitológica da sociedade. Victor me olhou, demonstrando grande sensibilidade sociológica, apaixonado pela assunto, pluralista e encampou outros argumentos dando igualmente seu voto, que em seguida, foi aprovado por Carolina. Da sua grandeza intelectual, do gigantismo de seu conhecimento filosófico, se inclinava, afetuosa e generesoamente a um figura da cidade, sem maiores expressões, como o autor destas linhas e ao trabalho de uma senhora, que não seria considerado matéria de estudo em nossas acadêmias, embora fosse socialmente mais interessante que toda a classe política paranaense reunida.